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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Porta Aberta


A porta se abriu. Eu a abri.
Depois de anos eu senti a necessidade de girar a chave. Eu me tranquei, eu sei. Me acostumei com o quase escuro e a solidão das noites de chuva e fiz dali o meu mundo. 
Mas eu senti a necessidade de abrir a porta. Senti a necessidade de me deixar povoar. 
Os traumas existiram e só agora eu assumo que devido à eles eu senti medo, medo do fim antes mesmo que houvesse um começo. Medo da dor, da repetição.
Mas agora... agora é como se o som lá de fora ficasse cada vez mais alto e convidativo. É como se esse meu mundo individual ficasse pequeno ao mesmo tempo que grande demais só para mim.
Eu ainda não tenho um rumo, não tenho um plano. Ainda não faço idéia que que caminho seguir...Sei que caminharei a passos de formigas e ainda desconfiarei se as pedras não estarão em falso. Talvez eu ainda olhe para trás, talvez eu tenha vontade de voltar... Talvez... 
Tudo ainda é incerto e nebuloso. Mas há algo que eu sei : que a porta se abriu de verdade e chegou a hora de caminhar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

♫ Então é Natal...


♫ ...Então é Natal... E o que você fez? ♫
Eu amei, sorri, chorei, me decepcionei, perdoei, apaguei, escrevi, abandonei, esbravejei, gargalhei, fingi que não vi, fingi que  não sabia, fingi que entendi, conheci, me escondi, evitei, me perdi, me doei, me neguei...
Entre experiências boas e ruins, sobrevivi. E o que eu desejo de verdade é que tudo sirva para alimentar minhas esperanças de um ano ainda melhor.
Sem muito o que escrever por aqui, reflita você também sobre esse ano de 2010 e deixe-o que ele alimente suas esperanças e o impulsione de dando forças para fazer de 2011 um ano ainda melhor.  
♫ Então bom Natal e Ano novo também! ♫ rs


Beijinhos,
Marcele Millen.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O sacolejo



Dizem que as vezes precisamos de um sacolejo para acordar algumas emoções adormecidas em nós. Eu precisei.
Passei por uma cirurgia há alguns dias e embora tenha passado boa parte da curta vida de 24 anos achando que já estava pronta para morte, que encararia a situação numa boa, que não sofreria. De certo modo, eu nem valorizava tanto assim o fato de estar viva.
Até que veio a cirurgia e eu tive medo de perde-la.
Tive medo de não ver mais a minha avó, de não brigar mais com minha mãe. Tive medo de nunca mais andar na praia, de nunca conhecer as pessoas que ainda não conheço pessoalmente.
Tive medo de deixar pra trás o sabor de uma pizza com amigos, de nunca mais ouvir a voz de nenhum deles. E por mais que passasse na mente a idéia de reviver tudo isso numa outra vida - ou não- eu sabia que não seria a mesma coisa. Não, eu não estava preparada para dar adeus.  Eu não estou.
Foi um dia complicado, temido por mim. Fiquei extremamente sensível e abalada. Me surpreendi com o carinho de alguns, me magoei com a total ausência de outros e no final de tudo, abri os olhos e sobrevivi.
Talvez tenha sido este o sacolejo que eu necessitava para acordar em mim um amor mais intenso pelos meus planos, meus desejos, minha vida.
Seja o que for, seja como for estar aqui tem um sabor mais especial e no que se diz respeito a desejo é por aqui que eu ficarei por muito tempo, por que se pararmos para olhar detalhadamente meus anseios eu ainda tenho muita coisa pra fazer. E que assim seja.

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Na Espera



As vezes me sinto como uma menina, sentada na beira da escada esperando o pai chegar do trabalho. Mas embora eu me sinta assim as vezes, eu já não sou uma garotinha. Sou uma mulher agora. Uma mulher que não espera pelo pai, mas espera pelo amor de verdade. E eu espero.

Espero pelo click no cruzar dos olhos, pelo frio na barriga com qualquer ingênuo toque. Espero pela música especial, pela necessidade da voz, pelo desejo do encontro.

Espero pela insegurança com o espelho, pela vontade de dar sempre o meu melhor... de ser o meu melhor. Não apenas por mim, mas pelo outro que também o merece.

Espero pelos telefonemas, pelos encontros. Espero poder contar o meu dia e ouvir o dele também. 

Espero pela vontade - que me conhecendo bem sei que a terei- de ir pra cozinha preparar algo pra nós. Algo doce talvez.

Espero pelos suspiros apaixonados, espelho pela soma, espero pela troca.
Espero principalmente não estar fantasiando demais ou iludida por achar que tudo isso existe e é possível. E enquanto nada disso acontece eu vou ficando por aqui... Na espera.


Conheça meu novo cantinho >> http://resenhandomm.blogspot.com/

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Testes de revista




Sempre gostei de folhear as revistas em buscas de seus " testes" de personalidade, compatibilidade amorosa e afins. Quando mais nova, comprava revistas adolescentes especializadas no assunto, só com testes e mais testes. O que descobri? Que se esses testes são tão infalíveis assim ou eu minto nas respostas ou eu sou uma pessoa melhor do que penso ser...
Melhor, mais segura, mais legal, mais interessante...
Hoje por exemplo, me deparei com um destes testes. A pergunta: " Suas emoções estão controlando você?"
Para minha surpresa eu sou uma pessoa muito equilibrada. Sei controlar as minhas emoções e usá-las com diplomacia e seriedade... lindo não?
Mas o que falar dos meus ataques de solidão, das minhas crises de existência, da minha dúvida quanto minhas escolhas profissionais a cada dois ou três meses? O que falar da minha amiga TPM que espanta qualquer mortal que se aproxime de mim?
O que falar da minha necessidade de um chocolate numa madrugada qualquer e do entusiasmo desmedido quando algo dá certo? 
Não, eu não sou equilibrada. Minhas emoções me fazem abandonar um emprego, ser grosseira com um amigo, evitar um bate-papo despretensioso com outro. Me faz escrever textos e mais textos que muitas vezes não dizem nada para ninguém a não ser para mim mesma...
Também não sou tão divertida como dizia o outro teste, nem sedutora e nem tão boa amiga assim.
Talvez eu devesse parar de fazer esses testes de revistas que sempre estão equivocados. Ou talvez... talvez eu devesse me conhecer de verdade...




quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O teu lugar...




Um dia você acorda e percebe que nunca teve um lugar de verdade. Percebe que assim como muitos, caiu na armadilha do bem-amado e tudo que você achou que existia se reduziu apenas a palavras e na melhor das hipóteses planos.
Talvez o outro tenha se esforçado pra te encaixar em sua vida, talvez tenha realmente desejado que você ocupasse um lugar, mas nem tudo é o que planejamos, o que desejamos. Talvez tudo não tenha passado de um plano, pra te seduzir ou pra te usar e agora que a conquista já foi obtida é hora de sair de cena.
Você pode ter dado o seu melhor, pode ter se guardado demais, pode ter acreditado na veracidade das frases feitas não importa. Importa sim, a maneira de sair.
Li uma vez que " a melhor maneira de sair é sair completamente". Então, saiamos!
Saiamos cantando e dançando ao som do Leoni, sem perder o otimismo de um dia encontrar o nosso lugar de verdade, ao lado de quem nos queira de verdade... essa é a regra!

Carro e Grana - Leoni


Houve um tempo em que tudo girava ao meu redor
Dos meus desejos e vontades
E todo mundo ria de tudo que eu dizia

E eu dizia um monte de bobagens
Eu achava que tinha de tudo para sempre
Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta
A gente tenha ou não vontade
Já tive carro e grana
E um monte de convites pra qualquer lugar
Hoje eu só ando a pé
Mas eu continuo a andar
E aquelas pessoas que andavam ao meu redor
Hoje escolheram uma menina
Que por enquanto acredita em tudo que eles dizem
É a mesma história toda vida
O que eu sei eu sei que ela só vai descobrir
Quando ela sair de moda
Um tropeço é melhor professor do que o sucesso
É tudo bem mais claro agora

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mulher Maravilha





Ela era linda. Pra ela, eu que era linda.
Eu admirava sua facilidade com os números, ela admirava minha intimidade com as letras.
Eu, sempre pesando mais que gostaria, imaginava como era mais fácil pra ela, sempre a mais magrinha da turma. Ela só queria desfilar pelas ruas com mais corpo e um belo decote.

Eu invejava sua liberdade de ir e vir, ela gostava de ficar em casa algumas noites. 
Ela lutava para ter um capricho realizado, eu filha única, não valorizava tanto assim o que obtinha com certa facilidade.
Ela se casou, mudou de país, voltou...é mãe. Eu continuo aqui, mais que solteira, sozinha talvez.

Durante toda a adolescência uma foi a " mulher maravilha" da outra. Mais que amigas, éramos também alguém em quem se espelhar.
Estivemos juntas na festa de 15 anos, fui madrinha de seu casamento, comi do bolo de aniversário de sua filha. Uma participou das decisões mais importantes da outra, dos segredos, das alegrias, das tristezas que nos pareciam tão maiores. 
Hoje moramos no mesmo bairro, batemos papo, reclamamos da vida e relembramos o quanto vivemos de verdade nesses anos que se passaram.
Somos hoje,  a prova viva de que a admiração não é apenas um combustível, um requisito, mas sim a alma das verdadeiras e belas amizades.



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♥MáH♥
Alguém aprendendo a lidar com emoções, sentimentos...alguém aprendendo a viver.
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