
Não morre em mim o som da risada, o jeito carinhoso como me chamava de Ném. Não morre em mim a lembrança da noite não dormida, justamente por algo que não morreu.
Não morre em mim a mistura de paixão e amizade das noites de verão. As brincadeiras pelo prédio, o silencio que falou por si só tantas vezes e os beijos confusos de quem não sabia bem o que sentia.
Não morre em mim a descrença nas declarações, as lembranças da cidade imperial, a noite sem luar, como cantava o poeta.
Não morre em mim o café derramado, os olhos azuis, o reconhecimento na primeiro encontro de olhares.
Não morre em mim os passeios pela orla, os telefonemas infindáveis, o céu em comemoração, as discussões mais bobas e o amor na sua forma mais pura. Não morre em mim o timbre da voz, e os grandes olhos negros brilhantes.
Não morre em mim as confissões em tardes de sol, a antiga troca de correspondência em envelopes cor-de-rosa.
Priscila, Felipe, Pedro, Thiago. Igor, Bianca. Pessoas que marcaram a minha vida e cuja as relações mergulharam no tempo, na distancia, na vida...Pessoas que em sua maioria eu não sei como estão, o que fazem, o que sentem. Pessoas que não irão ler esse texto. Pessoas cuja minha lembrança já pode ter morrido.
E mesmo assim, pessoas que não morrem em mim.