topbella

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ELA


Olhos perfeitamente delineados, lábios delicadamente coloridos.

Sorriso encantador, doçura contagiante.

Assim desfila aquela mulher na rua. Quem a vê sente sua segurança, se rende ao seu charme.

Alegre, está sempre a cumprimentar alguém. Simpática, está sempre a receber elogios, carinhos.

Passos leves, não tem pressa de chegar, apenas chegará.

Até que vem a noite, e a água morna que cai sobre ela revela seus segredos. Lábios trêmulos e nus prendem o grito de desespero que tenta fugir junto as lágrimas que lavam seus olhos. Sorriso diluído em água e sal, doçura passiva de quem não quer se mostrar.

Liberta-se nesse instante toda a insegurança que se escondia por trás de toda a maquiagem e expressão quase mecânica. Ali, percebe-se que todas as suas saudações matinais são meras palavras que esboça, sem dar a elas o real significado. Ali percebe que mesmo equilibrando-se em duas pernas, sua alma rasteja.

É no silencio da noite que ela traça um novo caminho, pois sabe que não chegou a lugar algum, e nem sabe se realmente chegará.

Nos poucos momentos de sensatez que ainda lhe resta, pode observar o quanto coisas tão claras e óbvias se escondem nas frases feitas, no som da música alta e nas imagens que lhe rouba a atenção.

Na companhia mais sincera – a própria-, consegue direcionar seu olhar e filtrar toda a verdade e todo adorno existente. E dói. Dói perceber que a ilusão mais bonita foi alimentada unicamente por ela mesma, por que só ela tem o poder de alimentá-la, é dela a decisão de acreditar ou não.

E é assim, nesse momento cruel que ela mostra pra si que a grande muralha é apenas ruína, maquiada com sorriso perfeito e olhares milimetricamente desenhados.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

As coisas como são...


Eu queria, queria de verdade, retribuir seu carinho. Queria de verdade estar à altura de tanta dedicação. Mas não estou.

E isso me incomoda um pouco. Às vezes, até me dói. Enquanto recebo notícias suas, adio as minhas pra depois. Enquanto você me enche de elogios, eu acabo o criticando e deixando de lado as tantas coisas boas que vejo em você.

Enquanto você vem, sorridente como uma criança, me contar a sua grande novidade eu simplesmente “lavo minhas mãos” em situações que eu poderia opinar.

Sabe o que é... Não estou acostumada a estar verdadeiramente em primeiro plano, em receber a primeira fatia do bolo. Não estou acostumada a dar o primeiro plano, em casos como este a um único alguém. E não posso prometer mudanças quanto a isto, porque verdadeiramente não as sinto próximas de mim.

Talvez seja a hora de “sair da vida de migalhas” citada pelo poeta uma vez. Talvez esteja você a solução para a solidão que me assombra às vezes, talvez seja você a grande amizade mais que companheira da minha vida e talvez eu esteja deixando tudo isso passar...é um risco, eu sei. Sei e sinto por isso.

Vejo que a vida está lhe guardando tanta coisa, tantas experiências, tantos sabores, e eu gostaria, gostaria mesmo de estar com você nesses dias, gostaria de acolher, de brindar, de comemorar, de estar ao seu lado. Mas não sei se na verdade eu seria a melhor companhia. Se eu estaria ali de verdade, do jeito que você merece. Você minha “criança grande”, que está sempre comigo. Você que nunca teria essa dúvida.

São em momentos assim que eu fico imaginando se você já pensou assim algum dia, se já sentiu minha falta, se já percebeu que nem sempre estou mesmo com você... Talvez tenha percebido e se calado, tentando afastar qualquer afastamento maior...

Talvez um dia isso mude: talvez eu um dia consiga lhe retribuir tudo o que você me oferece. Torço por isso, quero isso. Mas hoje...

Hoje eu sou só uma libélula qualquer, repousada numa flor qualquer tentando te dizer que ainda não podemos sair e voar…








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