Entre tantas decisões, a mais acertada: Me despedir.
Não vou dar meu último adeus e partir, porque isso seria impossível, tamanho o sentimento que se criou. Vou sim, me recolher por um tempo até arrancar de mim a capacidade de ficar mal com coisas que me são abstratas.
Talvez seja hora de organizar a vida, engavetar o passado e sonhar com o futuro. Um futuro REAL, concreto e palpável.
Talvez esteja na hora de separar dimensões que sempre se completaram em mim...
Sim, talvez seja um erro essa atitude, mas minha alma pede isso a algum tempo... e dessa vez eu a ouvirei.
Dói em mim me afastar tanto e dói ainda mais querer esse afastamento. Mas também doeu os mal entendidos, as acusações, as substituições, a indiferença, as desconfianças, as subestimações.
O abstrato feriu o concreto: atravessou metais e tecidos e chegou até a carne.
Então, ficamos assim...
Eu cuido de verdade de mim e volto mais realista, mais perspicaz...Volto menos ingênua e sem lentes cor de rosa nos olhos.
Se existir saudades, reviva as histórias inventadas em nossas "segundas" vidas.
Não temos o cheiro um do outro, nem conhecemos a textura da nossa pele...mas sabemos sentir com a alma. E foi nisso que eu me apeguei por tanto tempo.
Se sentir saudades os atalhos que levam até à mim ainda serão os mesmos.
Se sentir saudades...talvez essa vida de mentira tenha um pouco de verdade.
E se assim for, eu estarei errada e toda a dor terá valido a pena.


( Não, esse texto não se refere a uma única pessoa em especial, não é uma carta...É fruto de um conjunto de situações...)



Eu repetia pra mim mesma, por diversas vezes
que o segundo pedaço do bolo
tem exatamente o mesmo sabor que o primeiro.
Até perceber que sim, é o mesmo sabor,
o mesmo bolo...
Mas ambos não possuem a mesma emoção...
Não existe a mesma magia,
nem o mesmo brilho no olhar de quem o oferece.
O segundo pedaço de bolo
mesmo saboroso, mesmo coberto de afeto
nunca deixará de ser o segundo.
A magia já terá passado, o brilho já terá se diluído
a emoção já terá sido tolhida...
Obrigado meu bem pelo segundo...
terceiro pedaço de bolo...
Mas dessa festa, eu não já quero mais participar.







Hoje me sinto leve...
Leve pra partir, sem drama, sem rancor.
É chegada a hora de fazer as malas,
guardar cada pedacinho eternizado, cada emoção sentida e partir.
E eu vou...
Leve por saber que fiz diferença, satisfeita pro saber que diminui a carga.
Chegará um dia em que a saudade não mais nos doerá...
e o que ficará será um doce sabor de algo bom que passou.
Chegará um dia em que a lembrança será vaga
e nos tornaremos desconhecidos que um dia chegou a se conhecer...
É minha história, é minha vida
Sou ferramenta do destino e não há como fugir.
Não precisamos de intensas despedidas...
Assim como surgi, eu irei...Leve...suave e devagar.
Sem dizer adeus e talvez sem mais retornar.
Eu vou... Consciente que nosso momento já passou,
assim como tantos outros passaram por mim.
Consciente que se meu brilho aqui se apagou...Ainda há novos céus para brilhar.

Eu já não sei o que será de nós... Eu já não consigo imaginar o que sobrará de nós em meio as cinzas de um amor que está nos queimando.

Um amor não-carnal, quase abstrato...mas que fere.

Eu não quero passar o resto de nossas vidas perdoando ou pedindo perdão, enquanto as oportunidades deixam de ser vividas por mim, por ti...por nós.

Talvez, num futuro não muito distante, isso tudo não mais exista...Talvez o nosso nós esteja tão individual e cheio de si, que as palavras já não serão mais bem vindas e as sombras das mágoas já terá nos tomado pela mão...

E o que ficará disso tudo?

Viverá em ti o som do lado bom da vida... Viverá em mim a sensação do inesperado surpreendendo-me...

Viverá em nós as saudades de uma amizade que de tão intensa, um dia esbarrou nos ciúmes, tropeçou nas palavras ditas - e não ditas, confesso- e caiu aos pés da mágoa se perdendo de vez pelos caminhos da vida.

Ainda há tempo, meu tudo...

Ainda há tempo de amar sem cobrar, sem idealizar, sem esperar... Ainda há tempo de nos amarmos como somos... intensos ou calados, mergulhando de cabeça e enfrentando ou recuando até o calor passar...

Deixemos nosso amor ser maior que isso... Deixemos nossas outras relações nos lugares delas para vivermos a nossa...

Ainda há tempo...

De mãos dadas, fechemos os olhos para o que nos é externo, antes que a frase "nossa amizade não dá" seja verdadeira e forte o bastante para resistir.

Ainda há tempo... ainda há amor.









Um dia eu, com você, derrubei todas as cercas

e deixei meu coração livre para ser germinado
Um dia eu desliguei o som confuso de terceiros

e deixei que nossa música fosse criada.

Um dia eu esperei ansiosa pelo abraço guardado...

Hoje é fácil dizer que depois desse tempo

meu coração bate em primavera.

Hoje somos uma suave sinfonia,

até mesmo quando novos músicos tentam fazer parte dela.

Hoje o abraço é refúgio, proteção

e se ainda está guardado está exatamente como me sinto,

guardada sob seus braços.
( Ricks, pra vc!)

Mergulhando na imensidão cinza do céu, nada mais me importa.

Já não me importa concordar, já não me importa mais entender.

Se o caminho foi escolhido, o destino inevitavelmente foi traçado.

E eu, eu não vou seguir os teus passos.

Existem momentos na vida em que quando a decisão não é tomada,

ela vem lhe bater a porta.

Talvez esse seja um desses momentos.

Talvez fechar os olhos e fingir alegria já não engane mais a nós mesmos.

Talvez o cinza do céu seja mais que um anuncio de tempestade,

talvez os deuses estejam de luto.

São tantas as hipóteses, tantas as dúvidas...Todas elas sem luz.

Não há mais fuga. Não há porque olhar pra trás, não há porque tentar.

Assim sendo, pegue sua velha taça, e venha brindar sob o cinza do céu...

Aquilo que um dia foi, mas que nunca voltará a ser.