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domingo, 22 de abril de 2012

Perdão, ainda não.



Ando me perguntando o que deu errado, e mais ainda, o que ainda faz dar errado. Colhi informações aqui e ali, em filmes, livros, revistas e até na minha própria intuição, levantando a hipótese da resposta secreta estar na "magia libertadora do perdão", tão comentada por aí.
Mas como perdoar? Como me livrar do peso que ficou? 
Não, eu não amo. Não, eu não daria meia volta e retomaria o mesmo caminho... mas eu também ainda não perdoo. 
Ainda sinto a alma pegar fogo quando lembro do sabor amargo que me apresentaste. Sabor de humilhação. Ainda desconfio de qualquer movimento ou fala adocicada, por que mesmo não sendo a intenção, acabei acreditando que não era merecedora para tal. 
Compreendo que tenho minha parcela de culpa e as vezes até desconfio de que não há culpa alguma em nenhum de nós, mas seria hipócrita se dissesse que eu perdoo. Não, eu não perdoo. Não perdoei.
Talvez um dia isso possa acontecer, e eu deixe tudo isso no tempo pretérito que deveria estar. Talvez eu me liberte das amarras e cure as cicatrizes que ainda permanecem inflamada longe da superfície. Quem sabe não consiga ao menos sorrir educadamente num encontro casual...
Não vou dizer que ainda dói revirar memórias porque não dói. Nem vou dizer que choro ( ou sinto vontade de faze-lo) por não choro, mas também não vou dizer que está tudo bem. Não está.
Talvez, assim como com os dependentes, o primeiro passo seja a aceitação para depois o perdão. E hoje eu sei que estava enganada quando achava que tinha esquecido e perdoado. Esqueci, mas não perdoei. E agora que entendo isso, quem sabe um dia o verdadeiro perdão não chega? Quem sabe eu perdoe você e perdoe eu mesma por permitir que tudo isso me atingisse em tamanha dimensão. 
Mas não hoje... Hoje, infelizmente, nenhum de nós tem o meu perdão.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sim, eu tenho peito!


" Eu te deixo ser, deixe-me ser então" C.L




Nunca fui um exemplo de boa auto-estima, e o mais interessante é que todas as minhas características viraram defeitos por que alguém me avisou que elas não poderiam ser como são. Passei toda a infância sonhando em fazer um rabo-de-cavalo bem alto na cabeça, mas tudo que fiz foi cara feia para minhas orelhas, que disseram ser grandes demais.
Passada essa fase, me disseram que meu o quadril era grande demais. Que eu tinha barriga demais, peso demais e eu vítima de toda essas  informações estampadas nas revistas e vendidas na t.v como garantia de felicidade as absorvi. Hoje, ao rever algumas fotos de dez, oito anos atrás consigo ver o quão bonita eu era e quanto tempo eu perdi, me achando feia e indigna de qualquer elogio.
Submersa a tantos resiquios da época, tenho reagido ao que parece incomodar tanta gente menos eu: o tamanho dos meus seios. Minha coluna não reclama, meus olhos não reclamam e eu não entendo por que as pessoas a minha volta resolveram reclamar.  
Confesso estar muito cansada de responder aquela tia chata ( tenho certeza que você tem uma!), a amiga, ao amigo e até a minha mãe que não, eu não vou operar. O motivo: Eu não quero. Mas não quero também ficar ouvindo que eles são grandes demais, que se operasse ficaria mais magra, que poderia usar qualquer roupa, que poderia arrumar um namoradinho. Cansei de associarem meu estado civil ao meu corpo, cansei de se preocuparem com aquilo que não me preocupa.
Há quatro anos atrás, apresentei minha monografia prometendo a mim mesma fazer o que tivesse ao meu alcance para que as crianças de todas as etnias, crenças, cores e condições financeiras tivessem o direito de serem elas mesmas, dando o mesmo direito ao colega ao lado. Não só por essas crianças, mas por mim mesma e pelo que eu acredito eu fico com meu soutien 48. É essa quem eu sou, que me aceitem e que me amem, exatamente assim.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Solteiras



Há muito não escrevo nada tão crítico por aqui, publicando apenas as vozes da alma, mas desta vez não resisti, até porque, minha alma não se limita a questões afetivas do coração... Minha alma é cheia de opiniões.
Uma pesquisa realizada pelo IBGE  e publicada na Folha de São Paulo no dia 15/01/2012 mostra que quanto maior for o nível de instrução de uma mulher, mais chances desta ser solteira. Essa pesquisa, por si só, já me deixa bastante incomodada por imaginar quais são as razões para isso acontecer, mas surpresa maior eu tive com os comentários que recebi ao compartilhar a notícia no Facebook. 
O primeiro deles, veio de um rapaz que mora em meu bairro: " As burras são as melhores" disse ele...
As meninas completaram ao compartilhar " Vamos todas parar de estudar", " PQP, pra que eu fiz facul?" entre outras.  
Não sou feminista, mas me sinto agredida ao ler este tipo de coisa. Nós mulheres, reclamamos por receber menos comparado ao homem, reclamamos por ainda sofrer preconceito em determinados lugares, em determinadas profissões... E o que fazemos? Achamos graça nesse tipo de pesquisa e mal paramos para analisar o porque é assim.
Até que ponto estar acompanhada vale mesmo a pena? 
Ainda ontem, lendo um livro que uma amiga me intimou a ler, dizendo que ia me fazer bem e mudar minha vida, me deparei com a seguinte fala:
" Se o seu homem for extremamente suscetível, não mate nem um inseto quando ele estiver perto. Não troque um pneu. De preferência, não troque uma lâmpada. E se alguém fizer uma pergunta a vocês dois, morda a língua e deixe que ele responda" (Por que os homens amam as mulheres poderosas, p.68)
Em outras palavras: Continue sendo submissa e sem personalidade na frente dele. Isso é ser poderosa? 
Que minha amiga me desculpe, mas o livro é péssimo! Além de joguinhos bobos de sedução, parece ter sido escrito há décadas atrás. 
Sendo assim, eu que vinha reclamando de estra solteira há tanto tempo, mudei de opinião. Se for para podar quem eu sou, o que eu penso, minhas chances de crescer culturalmente... que eu fique solteira por bem mais tempo.
Não por que sou auto-suficiente, mas porque não quero ao meu lado um homem que tenha problemas com minha graduação, minha busca pelo saber. Um homem que se incomode com o fato de eu responder uma pergunta direcionada aos dois. Como sei que há casos e casos, e que nem todo homem é assim, eu espero. Não tenho pressa... Pena mesmo, é ver tantas amigas pensando diferente de mim e aceitando que o machismo ainda se faça presente entre nós em pleno 2012.
Solteira? Sim, sou. 
E quer saber? Com o maior orgulho!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tudo novo de novo



Um novo ano se inicia e talvez junto com ele, um novo ciclo em minha vida. 
Armários arrumados, roupas dobradas e tudo aquilo que não me serve mais separado para ser mandado embora. Tudo: roupas, sapatos, ursinhos de pelúcia e "casos de amor e amizade".
As palavras há tanto guardadas já foram ditas, enfim. A máscara da suprema satisfação começa a ficar um pouco incômoda e ao aspirar a poeira dos objetos, acabo por tirar também a poeira do peito, já quase engessado.
Eu não sei dizer quantas vezes ensaiei esse recomeço. Não faço ideia do número de vezes que repeti para mim mesma o mesmo discurso, enquanto calava sentimentos e emoções na tentativa de faze-los desaparecer pelo fato de nunca terem voz.
Um novo ano se inicia...
Dessa vez sem promessas e sem metas. Sem flores de oferenda ou sete ondinhas puladas.  Um novo começo com coração, portas e janelas abertas, chão varrido e um leve perfume no ar.  Um novo começo com uma anfitriã pronta para receber a visita do novo, da melhor maneira possível. 

sábado, 5 de novembro de 2011

Partir



E mesmo que você não queria, há momentos em que se precisa partir. Deixar para trás pessoas que marcaram sia vida e momentos que te deixaram em estado de graça. As vezes a vida vem bater a porta e dizer que ela não parou só porquê você quis dar uma pausa.
Já parti algumas vezes, quase sempre engolindo o choro e fixando o olhar num ponto qualquer, tentando convencer a mim mesma que o retorno existiria. E quase sempre existiu. Quase sempre...
Exatamente aqui nesse blog, no ano de 2007 eu postei um pequeno texto falando do momento de partir (  Vide aqui!). Uma partida dolorosa, que me deixava a sensação de que nunca mais iria voltar. Lembro-me do desespero de querer se ver livre de tanta lágrima que surgia em meus olhos, desejando não estar sendo observada por ninguém. Lembro-me de repetir para mim mesma que eu voltaria em duas, três semanas. Já se foram quatro anos e eu nunca mais retornei- nem retornarei.
 A ironia disso tudo? Não retornei, mas demorei para partir, de fato. Você só parte se você se deixar partir. Sair de cena é bem mais do que tirar o corpo físico do cenário principal. É apagar as músicas, deixar que as lembranças sejam apenas lembranças, não as revivendo a cada segundo. Partir de fato, é fechar as portas e não voltar, seja por pensamento ou por ações. E eu não estou preparada para partir. Senti o mesmo desespero de que não voltaria mais. Senti a mesma agonia de ter que me despedir do chão e do ar, sabendo que eles jamais tocariam meu corpo novamente. 
Mas o coração... O coração fica, quem sabe desta vez para me provar que eu estou totalmente equivocada e um dia retornarei. Quem sabe...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Das cartas que você nunca lerá



Essa é só mais uma daquelas cartas que você nunca lerá, numa tentativa falha de voltar no tempo e falar tudo o que não foi dito nesses anos. Eu só queria registrar o quanto tudo isso é injusto e o quanto aquela máxima que diz que a vida não é justa é tão verdadeira e fiel a realidade. 
Não é justo. Não é justo comigo mesma pensar tanto em você nos últimos dias  tentando imaginar seu trabalho, seu cotidiano, sua vida. Não é justo comigo que nessa história toda o meu mundo tenha se afunilado enquanto o teu tenha se expandido. Não é justo que só você tenha tido um final feliz.
Não é justo que a vida não tenha parado, estática no tempo...
Sabe, meu bem, hoje eu sou loira. Sou uma pedagoga concursada na área que eu tanto queria. Eu ainda ouço MPB, ainda adoro chocolate e ainda durmo tarde.
Não tenho mais ido a praia com tanta frequência, não tenho mais a mesma melhor amiga e não me apaixonei mais. Também não chorei mais... Aquela melancolia infundada desapareceu.
Lembro-me que você queria mudar o mundo e me pergunto se conseguiu ao menos mudar as coisas ao seu redor. As vezes é bem complicado, não é?
Talvez pela proximidade da data tenho me surpreendido pensando em você, imaginando você, lembrando de você. Meus pés ainda doem a noite e sentem falta de suas massagens. As vezes meu corpo sente falta do teu peso e então eu me sinto sozinha. 
Ainda tenho lido demais, me contentando com romances dos personagens do livro, imaginando o porquê não acredito mais que isso possa ser real. 
Ainda te odeio. Não, eu não te odeio, mas deveria odiar e isso me assusta. Me assusta pensar que será sempre assim. Me assusta pensar que tenha roubado meu encanto, minha leveza, minha capacidade de acreditar.
Preciso dizer que voltei a beber. Lembra de quando nos conhecemos? Tudo que eu mais queria naquela noite era uma cerveja. Ainda bebo cerveja. E vinho, e ice e coquetéis coloridos, o que me faz lembrar que amanhã será dia de brindar. Quatro anos se passaram e eu sobrevivi, mesmo acreditando que morreria. Quatro anos se passaram e algumas feridas continuam iguais. Quatro anos se passaram e eu estou aqui, no mesmo blog, com uma boa dose extra de sentimentalismo barato, que tende a desaparecer com os dias...
Brindemos então. Brindemos a mim, brindemos a você... Brindemos a mais uma carta que você nunca lerá.
Tintim! 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Protagonista


Nunca fui uma das pessoas mais exigentes do mundo. Sempre aceitei o papel de coadjuvante sem reclamar, feliz por pelo menos ter um lugar para ocupar. 
Depois dos meus 15 anos, nunca me senti a amiga número 1 de alguém, talvez por nunca ter realmente sido considerado uma. Pouco depois fui deixando der ser a grande paixão, o grande amor...
Não sou figurinha certa no álbum de fotografia de ninguém, não recebo o primeiro pedaço de bolo, não sou a primeira a ser convidada- as vezes até se esquecem. E mesmo assim as coisas acabavam fluindo bem.
O problema é que ando cansada. Cansada de ser lembrada nos momentos em que é preciso desabafar. Cansada de ser convidada quando ninguém mais aceita o convite.  Cansada da vida de suplente, esperando um imprevisto para ocupar o lugar. Cansada das sobras, dos bastidores e da menção honrosa.
Mais do que nunca é hora de assumir o papel principal... Então que seja eu mesma a me dar o primeiro lugar. E se todo aquele papo de que é necessário se amar primeiro e " blá blá blá" não for verdadeiro, pelo menos eu terei sentido o gostinho de ser a protagonista de uma história de amor sem medidas; Por que é sem medidas que eu vou me amar.
E que assim seja.

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♥MáH♥
Alguém aprendendo a lidar com emoções, sentimentos...alguém aprendendo a viver.
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